Ivo S. G. Reis - Artigos, Poesias, Contos e Crônicas
Textos

MINHA (IR)RELIGIÃO


Não, não estamos na Inquisição...
Mesmo assim, os diferentes,
Por não sermos a “Deus” tementes,
Somos cobrados a ter uma religião
E reafirmar nossa fé em “Deus”.

Por que assim tão exigentes?
Acaso não cabe a nós, como entes,
A escolha ou não de um Deus,
Decidir ser crentes ou ateus?

Religião ou irreligião?
Não sei, mas é algo que professo,
E ser ou não ser, não é a questão.
Mil vezes expliquei, mas sem sucesso,
E ainda a inquirir e a me julgar estão.
Cansei! Encerrem o processo!
Deem-me o direito da derradeira explicação,
E eu relato como um réu-confesso:

Quereis o nome da minha religião,
O seu “Deus”, os princípios que defende,
O endereço da sua sede,
O número de seguidores?. Ei-los:


Minha religião não tem nome
E é desconhecida dos homens.
Não faz marketing, nem propaganda,
Não quer agregar adeptos.

Minha religião é liberal, libertária e confiável.
Não afronta outras, não se julga melhor nem pior.
Não faz proselitismo e não lança reptos.
Modesta, não se expõe, trabalha em silêncio.

Minha religião, em modelo algum é enquadrável.
Abomina rótulos, não presta obediência a ninguém.
Não quer encaixar-se no que é formal,
E em nenhuma denominação convencional.

Minha religião é auto-sustentável,
Não exige dízimos, donativos ou contribuições
E também, não promete graças ou milagres,
Mas premia o seguidor por suas ações

Minha religião não tem templo físico visível,
Mas está comigo em qualquer lugar:
No Pólo Norte ou no Pólo Sul,
No mar, na terra ou no ar,
Onde eu estiver, lá ela estará.

Minha religião é confiável e leal,
Não me exige sacrifícios, não me amedronta,
Não estabelece metas que eu não possa cumprir,
Não me impõe regras rígidas, castigo ou penitência...
E se alguma regra eu quebrar,
Faz com que me apresente à minha consciência.

Juíza e conselheira dos atos que eu praticar,
É ela, a consciência, quem me mostra os erros,
A salvação ou a conseqüência
Da sabedoria ou imprudência
Da escolha de um caminho.

Minha religião não é pedinte,
E nem permite que eu seja.
Incita à luta e à persistência,
Não pratica e condena imprecações,
Não tem deuses, não tem santos,
Não tem papas, bispos, pastores ou missionários,
“Guias espirituais” ou gurus, a dizer-me o que fazer.

Minha religião nem tem livros sagrados!...
Não tem sede fixa, filiais, nem cultos nem orações.
Tem apenas um parlatório, para planejar as ações.

Minha religião é ligada, bem-informada, atual.
Estuda o passado, com os pés no presente,
E a visão no futuro.
Pesquisa, estuda, não me deixa no escuro.

Minha religião defende a natureza,
E o amor ao próximo, inclusive aos animais.
Defende a honestidade, a amizade, a lealdade.
Tem por norma maior o bom-senso
E o não fazer mal a ninguém.

Minha religião não aceita e combate ferozmente:

Dogmas, imposições, injustiças, ignorância,
A dependência pelas drogas aniquilantes,
As opressões dos mais fortes sobre os mais fracos,
Os criminosos ambientais,
Os corruptos, os charlatões,
A propaganda enganosa, de cerebração criminosa,
O fanatismo e o proselitismo religioso competitivos,
A violência, a censura, a repressão, a tortura,
A exploração do cidadão pelo Estado.

Minha religião, sem nome, de único seguidor, é finita;
Só quer me mostrar a que vim
Por outras, homens e mulheres, não é bendita.
Foi fundada no dia em que nasci
E quando eu morrer terá seu fim.

Quereis agora o resumo, a sede e o nome?
Então que seja, que seja...
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Sede: Eu interior; Deus: a minha consciência
Número de adeptos: só um;
Princípios que defende: os meus
Fundação: No dia em que eu nasci
Filiais: Não possui
Abrangência: Minha conduta, nos meus espaços
Nome: “EU SOZINHO POR MIM “ 
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Ivo S G Reis
Enviado por Ivo S G Reis em 06/12/2007
Alterado em 04/09/2015
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